Abastar

Abster-se da necessidade de se completar com terceiros é saber valorizar a significância da sua existência. Acolha e acuda a sua alma, dê prioridade a sua paz. Culmine e cauterize essa carência impregnada em seu interior, arranque essa indigência caracterizada de solidão, preencha-se de solitude e transborde em comunhão com a sua singularidade, seja o seu amor de verdade.

Não se complete com metades, sejas previamente inteiro consigo e conseguirás verter de onde for. Sejas nascente e beba de sua própria água e sacie a sua sede com calma, gota por gota se inunde de pura satisfação e gratificação, esse é o seu momento de contemplação, vislumbre com emoção e se comova com sua condição de libertação, é hora de abraçar o seu coração.

Renuncie suas expectativas sobre o outrem, não dependa dessa necessidade de fantasia, não caleje uma vontade ilusória, não alimente futuras decepções, não fulmine expectações, não sabote seu interior com preposições, não autorize ninguém a esperar nada de você e não espere nada de ninguém também. Desconstrua essas estruturas fictícias e se surpreenda com o belo e inevitável acaso, dê vazão a vida e deixe fluir sem conjectura, afinal o ideal é por definição, inalcançável.

Caroline Gonçalves.

Cansaço.

Me sinto cansado. Cansando como jamais estive antes, sinto o cansaço em meus olhos que pesam uma tonelada. Sinto cansaço em meus braços que se limitam a alcançar o céu. Sinto cansaço em minhas pernas que me deslocam sem nenhuma pressa. Sinto cansaço em meus pés que me sustatam em qualquer viés. Sinto cansaço em meus ossos que se luxam abruptamente sem qualquer remorso. Sinto cansaço em meus dedos que se estalam como galhos secos. Sinto cansaço em minha voz que trêmula falha sem som sem sol. Sinto cansaço em meus dentes que rangem e esfarelam como abrasão, erosão, abfracao. Sinto cansaço em minha mente que se embaralha e se embaraça como névoa densa . Sinto cansaço em meus cabelos que caem ao chão sem qualquer intenção. Sinto cansaço em minha pele que se enrruga como se fosse um tecido amarrotado. Sinto cansaço em minhas bochechas que se contraem ao sorrir sem qualquer sentença. Sinto cansaço na alma que se escorre e transcorre a cada ida e volta. Sinto cansaço em ser, mas por hoje resolvi viver!

Caroline Gonçalves.

Pessoal.

Estar consigo exige muita coragem, estar por si requer muita bravura. Amar-se é para todos, mas são poucos que se bem-querem.
Apreciar-se é entender que você é um ser único e exclusivo e cada palavra ao vento é uma mandinga para bons pensamentos, bons momentos, alguns instantes sobre o tempo, tempo que insiste em correr contra o ponteiro só para poder ganhar mais tempo. Tempo incerto e impetuoso, disforme e incabível, que nos prende ao anuário e ao relógio, ciosos para que o tempo traga o momento específico, momento ideal, cabal e pessoal.

Viver coberto de certezas lhe faltará respostas e tampouco lhe sobrará perguntas.
Questionar-se, demanda de uma grande confusão mental, confusão irracional, sentimento literal e desproporcional. Duvidar sem criticar, dançar sem tropeçar, sorrir sem registrar, seja leve e livre, voe para onde o vento te soprar e quando chegar lá, agradeça pelo árduo caminho que tivesse que encarar. Entenda que “só não era feliz quem não sabia”, então saiba que só depende de você para tamanha sapiência e compreensão, seja calmo e aprecie a sua evolução.

Viaje por novos lugares, conheça novas cores e sabores, encare o hoje como um presente e agradeça pelo sol que volta a cada novo amanhecer. Descubra, desbrave, se aventure, encare, supere, acredite e seja. Seja mais leve, mais bondoso, seja mais confiante e afetuoso, seja mais sincero e honesto, seja mais otimista e siga perseverante, afinal, no final é tudo por você e pra você, então seja tudo o que puder e quiser, seja tudo aquilo que sonhou ser, seja simplesmente você.

Caroline Gonçalves.

Verde.

Quando a cor verde vibra na gente vivenciamos uma sensação eloquente de sentimentos adjacentes estimulando nosso subconsciente com propriedades diferentes, agradável e estável, a cor verde tem um alto domínio equilibrado nos dando estabilidade e conforto a cor verde nos trás um sentimento harmonioso.
Resolvendo pintar as paredes da alma de verde chá, peço calma e liberdade, juventude e tranquilidade. Pintando as paredes da alma de verde escuro descubro oscilação sobre minha frequência vibracional, encontro meu equilíbrio corporal e emocional. Escolhendo um tom mais claro, acabo pintando de verde Lima que me instiga e me intriga com a energia pré estabelecida com a fauna e com a flora, energia que aflora, que floresce de dentro pra fora e nos transforma em pura sublimidade, energia de verdade. Sentindo o cheiro verde  na manhã nascente permito me inundar com pura quietude, absorvendo toda calmaria e serenidade e transbordando toda agitação e intranquilidade, cheiro verde de prosperidade.
Relacionando a cor verde com o nojo e a inveja, cobiça que que se expressa sem intenção de propriedade, não é uma inveja de verdade. Uma tonalidade de tamanha amplitude constituída de simples pigmentos, composta por ciano e amarelo  contorno todo meu oceano de verde mar e me atiro sem medo de me afogar, pois a cor verde representa proteção e no meu coração não há insuspeição quanto a minha intuição em acreditar que a cor verde é de pura liberdade, a cor verde, é energia de verdade!Caroline Gonçalves.

Observar.

Eu vejo vidas todos dos dias.
Vejo vidas sem vidas, vejo vidas entristecidas.
Eu vejo rostos todos os dias, rostos envelhecidos e cansados da rotina.
Vejo carros todos os dias, carros que circulam tão cheio de pessoas vazias.
Eu observo a correria do dia a dia, pessoas esquecidas esquecendo da própria vida.
Eu ouço vozes todos os dias, vozes distantes, abafadas e afogadas pela melancolia.
Observando passos todos os dias, noto pegadas pesadas e abaladas sem um rumo certo na vida.
Está tudo tão cheio de nada e com tão pouca alegria.
São vozes que sussurram, passos que circulam e barulhos que nos ensurdecem a cada segundo.
Vejo cidades de pedras que nos tiram o ar e há tão pouca árvore para respirar.
Somos um grande formigueiro como formigas independentes,
que atacam-se uns aos outros e ainda roubam seus pertences.
Dizem que somos fracos, tão fracos quanto somos insistentes,
a insistência é tão chata quanto estilhaços nas mente.

Então, mais um dia se passou.
Será mesmo que você se reinventou ou simplesmente continuou?!

Caroline Gonçalves.