Perspectiva.

Incerta sobre meus pensamentos, vagueio por aí sem direção. Ao desfilar por dentro de mim, me deparo entre paredes pixadas de puro horror e nostalgia, são memórias esquecidas, memórias arquivadas, intituladas minhas experiências.

Estou vivenciando-me em pura lucidez. As paredes riscadas, aranhadas e maltratadas, agora em ruínas, acento tijolo por tijolo pintando tudo em tom de branco, só para dar impressão de maior.

E com esse espaço que me abre, me desrompe uma vastidão de solidão. Que inércia incumbida. Como permitir tais sentimentos defasados ao meu ser, sendo que me deparo em abundância de companhias.

Ao mesmo que me sinto ingrata pelo que me é dado, sinto amor e apreço por tudo que já houvera conquistado. Como posso ser tão contraditória a mim, questionando-me até o fim.

Fingindo acreditar ser normal, me faço racional e me ponho em suma prioridade. Hora de entender quem eu sou de verdade.

Sou nada além de uma extensão do que idealizo, logo, sou a essência do meu desejo. Desejo soberbo sobre tudo que anceio e almejo, tudo dentro do meu preceito.

Sentindo estar fora de percurso, saio dos eixos e entro em colapso me pondo à deriva de um precipício. Vou me jogar e contar com a sorte.

Que sorte a minha, era só questão de perspectiva. Agora tudo faz sentido. “É necessário sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós.”

Caroline Gonçalves.

Alphonsus de Guimaraens

Alphonsus de Guimaraens

Alfonso Nasceu em 24 Julho 1870
Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil.

E teve sua Morte em 15 Julho 1921,
Mariana, Minas Gerais, Brasil.

Alphonsus Guimaraens, pseudônimo de Afonso Henrique da Costa Guimarães foi um grande escritor brasileiro.

ISMÁLIA


Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…

E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…

GUIMARAENS, Alphonsus

Caroline Gonçalves