Resolver

Certo dia resolvi escutar. De longe se ouvia uma voz a sussurrar, acalmei a alma, respirei bem fundo e decidi me atentar, me conectei com tudo que percorre meu radar, sintonizei minha frequência para poder captar a energia que circunda o meu ar, hoje atraio tudo aquilo que simpatiza com minha singularidade.

Um dia resolvi mudar. Mudei meus longos cabelos pintados, meu semblante apagado e disperso, mudei a maquiagem dos olhos e o estilo defasado. Substitui um discurso velho por um novo, sem mais pontos finais, hoje me permito reticências…

Chegou a hora mudar. Mudei minha risada abafada, meus argumentos falidos, mudei minhas desculpas esfarrapadas. Abstraí tudo aquilo que não agregava ou fazia falta e me repaginei com um novo sorriso estampado na cara.

Um dia resolvi deixar. Deixei meus medos abstratos de lado, os amores no passado, deixei de molhar os pés no raso e mergulhei ao fundo de minha particularidade, afinal, quem eu era de verdade?! Extrai toda insignificância do que é ser e senti toda uma vastidão do que é ser eu, hoje me permito desapegar para que o novo, puro e abundante possa entrar.

Chegou a hora de aceitar. Abracei a causa sem justificativa, sem nem questionar se havia discordância sobre mim, me calei no instante em que a intuição me tocou, preenchendo lacunas sobre dúvidas e receios. Não me sentindo mais sozinha, hoje estou muito bem acompanhada de mim. Agora posso transbordar.

Caroline Gonçalves.

Súbito.

Entre esse vento frio e úmido, noto pequenas gotas de orvalho que se envoltam em meus cabelos, parecendo pequenas gotas de gelo, inundando em meu corpo uma gélida sensação de morte súbita.

Acordo envolta de suor frio que me afoga de pavor ao sentir tal temor me fazendo notar que substancialmente estou à deriva de uma gigantesca e profunda sala, uma caixa retangular que se chama alma.

A cada nova sala é um espaço novo com tamanha insuficiência de luz que me sinto alastrar. Erradio então, para tudo iluminar. Começo a caminhar e não enxergo onde posso parar só sigo em frente como um vaga-lume a vagar.

Essa, tão escura de puro breu, sinto expandir-se com a vastidão do que posso ser, alastrando-se como a lava que queima ao escorrer e deixando assim se rudimentar, como uma rocha Ígnea, com diferentes camadas a se formar.

E como num piscar de olhos, acordo de um mundo caótico e noto que nesse momento estou apenas caindo e emergindo de dentro de mim, acordando para uma realidade mais coerente e menos lúdica.

Conscientemente notando ser subitamente um espamo hipnico, concluo minha estultícia e questinando-me a profundura da insciencia da alma diante de toda essa jornada que se chama vida.

Caroline Gonçalves.