Perspectiva.

Incerta sobre meus pensamentos, vagueio por aí sem direção. Ao desfilar por dentro de mim, me deparo entre paredes pixadas de puro horror e nostalgia, são memórias esquecidas, memórias arquivadas, intituladas minhas experiências.

Estou vivenciando-me em pura lucidez. As paredes riscadas, aranhadas e maltratadas, agora em ruínas, acento tijolo por tijolo pintando tudo em tom de branco, só para dar impressão de maior.

E com esse espaço que me abre, me desrompe uma vastidão de solidão. Que inércia incumbida. Como permitir tais sentimentos defasados ao meu ser, sendo que me deparo em abundância de companhias.

Ao mesmo que me sinto ingrata pelo que me é dado, sinto amor e apreço por tudo que já houvera conquistado. Como posso ser tão contraditória a mim, questionando-me até o fim.

Fingindo acreditar ser normal, me faço racional e me ponho em suma prioridade. Hora de entender quem eu sou de verdade.

Sou nada além de uma extensão do que idealizo, logo, sou a essência do meu desejo. Desejo soberbo sobre tudo que anceio e almejo, tudo dentro do meu preceito.

Sentindo estar fora de percurso, saio dos eixos e entro em colapso me pondo à deriva de um precipício. Vou me jogar e contar com a sorte.

Que sorte a minha, era só questão de perspectiva. Agora tudo faz sentido. “É necessário sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós.”

Caroline Gonçalves.

O esperar.

Estou esperando…
Esperando o momento chegar, a vida acontecer, o desejo florescer.
Esperando o choro cair, o sorriso se abrir, a sede matar.
Esperando o amor transbordar, a esperança renovar e o afeto calar.

Estou esperando…
Esperando o mundo girar, as horas passar e o momento chegar.
Esperando a tempestade se acalmar, a chuva cessar e o sol brilhar.
Esperando o copo derramar, a alma a lavar e o vento me levar.

Estou esperando…
Esperando o abismo me buscar, a calma me tomar e a raiva se dissipar.
Esperando o sono chegar, a saudade bater e a vontade aumentar.
Esperando o inesperável acontecer, o impensável supor e o amanhã sobrepor.

Estou esperando.

Caroline Gonçalves.