Súbito.

Entre esse vento frio e úmido, noto pequenas gotas de orvalho que se envoltam em meus cabelos, parecendo pequenas gotas de gelo, inundando em meu corpo uma gélida sensação de morte súbita.

Acordo envolta de suor frio que me afoga de pavor ao sentir tal temor me fazendo notar que substancialmente estou à deriva de uma gigantesca e profunda sala, uma caixa retangular que se chama alma.

A cada nova sala é um espaço novo com tamanha insuficiência de luz que me sinto alastrar. Erradio então, para tudo iluminar. Começo a caminhar e não enxergo onde posso parar só sigo em frente como um vaga-lume a vagar.

Essa, tão escura de puro breu, sinto expandir-se com a vastidão do que posso ser, alastrando-se como a lava que queima ao escorrer e deixando assim se rudimentar, como uma rocha Ígnea, com diferentes camadas a se formar.

E como num piscar de olhos, acordo de um mundo caótico e noto que nesse momento estou apenas caindo e emergindo de dentro de mim, acordando para uma realidade mais coerente e menos lúdica.

Conscientemente notando ser subitamente um espamo hipnico, concluo minha estultícia e questinando-me a profundura da insciencia da alma diante de toda essa jornada que se chama vida.

Caroline Gonçalves.

Observar.

Eu vejo vidas todos dos dias.
Vejo vidas sem vidas, vejo vidas entristecidas.
Eu vejo rostos todos os dias, rostos envelhecidos e cansados da rotina.
Vejo carros todos os dias, carros que circulam tão cheio de pessoas vazias.
Eu observo a correria do dia a dia, pessoas esquecidas esquecendo da própria vida.
Eu ouço vozes todos os dias, vozes distantes, abafadas e afogadas pela melancolia.
Observando passos todos os dias, noto pegadas pesadas e abaladas sem um rumo certo na vida.
Está tudo tão cheio de nada e com tão pouca alegria.
São vozes que sussurram, passos que circulam e barulhos que nos ensurdecem a cada segundo.
Vejo cidades de pedras que nos tiram o ar e há tão pouca árvore para respirar.
Somos um grande formigueiro como formigas independentes,
que atacam-se uns aos outros e ainda roubam seus pertences.
Dizem que somos fracos, tão fracos quanto somos insistentes,
a insistência é tão chata quanto estilhaços nas mente.

Então, mais um dia se passou.
Será mesmo que você se reinventou ou simplesmente continuou?!

Caroline Gonçalves.

Entender.

Ir embora para se conhecer, amadurecer e renascer.
Ir embora para sobreviver, ser e crescer.
Ir embora para entender, espairecer e não enlouquecer.
Permitir permanecer o que não encaixa mais em você é insistir para um dilúvio da alma.
Inundar-se sem razão é jogar-se ao mar profundo, a esperança permanece, porém morres em segundos.
Tudo ao redor vibra constantemente, encontre sua energia, sua alegria e distribua sorrisos a cada dia.
Faça seus pedidos e peça em silêncio, pois mesmo com a alma barulhenta o universo escuta até o último batimento.

Caroline Gonçalves

Instinto.

Guiar-se pela sua intuição não é somente loucura ou invenção.
Guiar-se pela sua intuição é muito mais do que imaginação, é estar conectado com seu eu em outro momento. É sentir fluir e se expandir em formato de um domo para proteger -se nos momentos mais oriundos.
Isso vale mais que um simples não!
Vivemos rodeados com tantos nãos que não percebemos que nossa expansão e ampliação está no simples fato de acreditar em nossa apercepção.

Permitir que sua intuição viva em você é deixar guiar-se por bons pensamentos, que nos leva a bons e longos lugares não havendo mais argumentos que o impeça de acreditar em sua capacidade.
Isso vale mais que um simples não!
Encontre o equilíbrio entre o saber e o enlouquecer, saiba escolher para não se arrepender e se em uma eventualidade o acaso acontecer seja leve com você até porque você suspeitou.
Isso não vale a sua condenação!
Revise suas opiniões, inclua suas percepções, evolua com suas decisões e aceite suas sentenças, e se por acaso algo te abster, saiba que é somente você enlouquecendo sem saber.
Isso vale mais que um simples não!


Caroline Gonçalves

Talvez.

Em meio a tantas dúvidas e clamor, será que obtive o teu amor?!
Um amor calmo, tranquilo e singular, singelo e pragmático como borboletas a farfalhar.
Deixar voar para longe, mas permitir poder voltar, pois alguns jardins florescem e o pólen se dissipa pelo ar.
São tantas dúvidas rasas que não consigo me aprofundar, devo somente molhar os meus pés ou posso me jogar nesse mar?!
Tamanha é a incerteza que me pego a pensar. Será tudo um devaneio meu ou você realmente não se permite me amar?!
Sentindo aclamar a incapacidade de subjugar, julga equivocadamente o sujeito que diz prepotentemente te amar.
Entenda que não há porque se machucar quando não se há mais espaço para transbordar. Não se permita criar grandes raízes para depois ter que se podar.
Mover montanhas e atravesar mares e logo se frustrar é o mesmo que se jogar ao profundo mar, a ância e o medo de se afogar e o sentimento incumbido de não poder respirar, se sente a sufocar.
Querer, saber e entender são sentimentos tão comuns a compartilhar, queria poder fluir conforme sua mente a pensar.
Há tanto brilho no olhar, que esconde a falsidade a pulsar, pulsando freneticamente como as mentiras que tu insiste em contar. Então, como confiar?!
Saudade que transcorre sobre meu corpo a clamar, peço para que fique, mas insiste em me abandonar.
Não deveria dar infinitas razões para querer ficar, só ficará e prevalecerá quem souber te amar nas mais banais imperfeições e qualidades a sobrepujar.
Diante de todo esse alvoroço, algo importante eu posso falar. Que sempre fui sincera, mas hoje, prefiro me amar!

Caroline Gonçalves.

Ficar.

Calmamente olho ao redor e me esbarro com tamanho pavor.
Me deparo com o espelho, mas não reconheço meu fervor.
Isso que transborda em mim, vem de mim ou de você?!
A sua dúvida perpetua dentro do meu eu.
Agora eu sou eu e sou você.
E nesse desconexo de sentimentos, surge a sutileza dos atos, a leveza nos passos e a sintonia da alma.
Com calma e clamor, pinto o horizonte de uma só cor.
Com um tom rubro negro, tingo o céu de vermelho e sinto o medo se transcorrer com o pincel ainda fresco, sente o cheiro do ar ameno?!
Sento-me então em um belo gramado, ainda verde do verão, e me pergunto, pra onde vou então?
Sentindo a energia da terra vibrar sobre minhas mãos, me conecto em sintonia com o pulsar do coração, vibrando e liberando capacidades eloquentes adormecidas em meu ser, agora eu sou mais eu do que sou você.
Conduzida a devaneios, jurando acreditar nessa realidade abstrata, abstraio tudo que se correlata inapropriado ao ser, seja em crescer, obsolescer e não deixar prevalecer a essência desse desobedecer.
Me afago em seu gostar e me permito novamente naufragar em um sólido espaço de amar, dando descerramento a
um ciclo longe de ultimar, de se encerrar.
Já passou a hora de se encontrar, não me deixe esperar, pois sou leve como o vento e com ele posso voar.

Caroline Gonçalves.

Pedaços.

Com o coração fracionado em pequenos pedaços, sinto um vazio alarmante, predominantemente em cada parte.
Olhos que outrora eram alegres hoje encontram-se úmidos pelas lágrimas que insistem em rolar, como que sem opção devora minha alma em forma de desespero e completa com uma boa dose de medo.
Me vejo ao espelho e não reconheço a forma em que me apresento, um reflexo do que já existiu se dissipa em fagulhas com o vento, agora sem a labareda que antes queimara, sobra somente cinzas de fragmentos de uma alma já cansada.
De forma organizada, junto pedaços do que me restara e me restauro mais uma vez com ferro e fogo em brasa.
Mergulho profundamente em um universo paralelo, observo flores, folhas e versos. E em meio a esse enredo, desenredo o linho ainda preso e navego em um mar violento, me adentro ao desespero e me afogo em puro veneno.
Me sinto sem chão e mergulho em pura solidão, o que há com meu coração?
Me liberto de todo o mau e prometo ser mais racional e me encontro em um lugar misterioso, agora é calmo e luxuoso, acredito ser a minha esperança, que por horas volta com muita confiança.
Faço as pazes com o medo e não tenho nenhum receio, pois, será sempre minha velha amiga, que volte e meia volta e tudo se complica.
Acredito que o amanhã seja sempre um presente, mas, como sempre estou inerte em um mundo descontente, com um alvoroço conflito internamente que me arranha as paredes da alma e sem demora me devora com tanta calma.
O ar que respiro é tão quente, mas, não vejo nenhum sol ao poente e me faço a pergunta novamente.
Do que preciso para voltar a ser contente?!

Caroline Gonçalves

Outro dia.

O coração já se encontrava consumido de tentar procurar respostas.
O raciocínio já não se depara com a lógica, procurando lacunas para se esgueirar.
As palavras para se autodescrever esvaíam-se como água nascente, não mais sobrando uma gota do seu ser.
Rodeados de afazeres, rotineiramente não se mostram suficientes para completar esse vão.

Dentro desse vazio, há compreensão, pois, o que sou?
Insatisfações incompreensíveis, pois, o que falta?

E dentro desse paradoxo de solidão inerente, havia felicidade presente, contudo, essa solidão que prevacele e mantém seu vigor, mostrando seu valor na vida dos que não sabem viver e em discordância, distância daqueles que soubera o que é sobrepujar até o entardecer.
Então o silêncio vem junto ao anoitecer, este que, mesmo sempre tão cheio de si, jamais pudera abraçar o alvoroço da felicidade.
Outro dia há de se encerrar. Tão pouco entendia o que o coração queria, sequer o que sentia, só sabia que este ainda batia.

Como foi seu dia?

Caroline Gonçalves.

Ser.

O corpo humano é cópia idônea do universo, desempenhando às mesmas leis e vontades de acordo com a sua estrutura, função e ofício diante a vida.

A nossa capacidade de ser e existir é muito além do que imaginamos. Nosso inconsciente se encontra em sua grande parte no escuro da alma, esperando você precisar de tal erudição.

Saber entender essa necessidade de ser, querer, e saber viver, está mais que atrelado em nossas moléculas, está além de nosso subconsciente, impulsionando-nos a escolher e decidir situações iverossíveis.

Estar diante de tais situações nos mostra o quanto evoluímos a cada estação, ser fruto é entender que precisamos saber a hora para germinar e florescer, crescer e amadurecer.

Deixe florescer em você o que há de melhor e mais bonito.

Caroline Gonçalves

Queimar.

Vislumbro ao entardecer a penumbra sobre seus olhos, estes, cerrados a fervilhar, contraindo e dilatando, como o fogo a queimar.
Reestabelecendo a arritmia do miocárdio, me ponho a pensar, será que posso chegar ao céu ou devo me jogar ao mar?!
E nesse desarranjo de ideias que insistem a me atarantar, entro em submersão de pensamentos avassaladores sobre meu rúptil ser.

Essa ruptura externalizada, inapropriada, obstinada a me desfragmentar inteiramente, inundando um abismo infinito de solitude e desatino. Busco emergir incansavelmente deste resvaladouro e me ponho precipitadamente em uma vereda sem saída.

Anseio pela utopia delineada, centralizada, explicita. Essa de imaginação com vontade própria e incansável que aflora um universo de novas expectações e haveres.

Caroline Gonçalves